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quarta-feira, fevereiro 10, 2016

Inspiration - Às coisas que aprendes e vais aprender

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Tinha aprendido por si mesma a ser crescida e a desbravar a vida. Aprendeu que cair faz parte do caminho, que se esfolam joelhos e narizes arrebitados. Que as dores de cabeça passam com um Ben-U-Ron e uma noite bem dormida. Que chorar à noite se oculta com a maquilhagem e o sorriso da manhã. Que o dia seguinte tem estado sempre lá e que, raras vezes, é tão negro como o dia anterior. Que os amigos nem sempre ficam. Que os Amigos são para a vida. Que as paixões passam, que as borboletas da barriga de vez em quando adormecem, mas nunca morrem. Que os males de amor se curam com o tempo e – odiava ter de chegar a essa conclusão – com um novo amor. Tão grande como o anterior. Tão avassalador como o outro. Tão penetrante e intrínseco como antes não havia julgado ser possível. Tão quente como o fogo que antes já queimava. Tão urgente como o depressa que antes já corria.
Ou não. Não tinha aprendido nada. Com os seus 30 anos de existência ela continuava a ter todas as dúvidas. Continuava a ter questões para as quais não tinha resposta. Do alto de todas as suas certezas – e se ela era determinada no seu pensar! – havia sempre algo que não conseguia entender. Definitivamente, a sua vida não tinha vindo com um livro de instruções. Não tinha guião pré-definido (e, provavelmente, se tivesse hipótese de o ter, descartaria essa opção). Não tinha personagens estanques e passivos. Como qualquer um de nós, não sabia de cor ninguém. Todos os actores e figurantes da sua vida, tinham o seu próprio livro para escrever, do qual ela só tinha acesso a pequenos capítulos.
(...)


Rita Leston





With Love, Ana Rosina

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