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quinta-feira, setembro 03, 2015

Inspiration - A Humanidade não pode dar à costa

Há imagens que trespassam o nosso coração como balas. O sangue gela, a realidade assolada, a consciência acorda de rompante. Deixamos de imaginar para podermos ver a dura realidade e engolir a seco. Onde andamos Humanidade? O que andamos a fazer?... Esperei que tivessem encontrado a PAZ algures num céu que eles, enquanto crianças inocentes,  merecem. Esperei que nós - Humanidade - tivéssemos perdido um bocadinho da nossa, para podermos olhar para o "lado" com os mesmos olhos que olhamos para os nossos. Para olharmos para eles com o mesmo olhar cheinho de amor, que tantas e tantas vezes relançamos para aqueles que nos pertencem. 
Tinham um pai. Tinham uma mãe. Tinham uma família. Tinham nomes. Tinham com eles, cravados o que o mar não pode lavar ou esconder. A imagem do sofrimento de todas as crianças que como eles, sucumbiram nas ondas, na esperança por dias melhores.
Aylan Kurdi tinha 3 anos e Galip tinha 5. São irmãos. E são também "irmãos" de centenas de outras crianças que perderam a vida nas mesmas circunstâncias. Quando vi as imagens (que compreendam, não vou partilhar aqui) lembrei-me deste poema.

Porque eles, também são os Meninos de suas Mães...

"No plano abandonado 
Que a morna brisa aquece, 
De balas trespassado 
— Duas, de lado a lado —, 
Jaz morto e arrefece. 

Raia-lhe a farda o sangue. 
De braços estendidos, 
Alvo, louro, exangue, 
Fita com olhar langue 
E cego os céus perdidos. 

Tão jovem! que jovem era! 
(Agora que idade tem?) 
Filho único, a mãe lhe dera 
Um nome e o mantivera: 
«O menino da sua mãe». 
(...)
Lá longe, em casa, há a prece: 
«Que volte cedo, e bem!» 
(Malhas que o império tece!) 
Jaz morto, e apodrece, 
O menino da sua mãe. "

Fernando Pessoa, in 'Antologia Poética'

"Porque a Humanidade não pode dar à costa."

#KiyitaVuranInanlik 

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"O menino ao colo da Mãe" - Michelângelo Buonarroti , Capela Sistina

With Love, Ana Rosina


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