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sábado, julho 11, 2015

Inspiration - Manhã

"Fiquei à espera que o sol acendesse o dia. O mar marulhava, enrolando o calhau da Barreirinha. Manso. Dando sentido à brisa que embriagava as gaivotas. Revestindo de sentido o silêncio da manhã, biografando-o em mim.
Tive tempo de parar, de ouvir os segredos da maré, de interpretar o bailado das nuvens que o céu de junho coreografava. Tive o tempo da liberdade e apresentei-me a mim própria. Despida. Sem precisar de dizer nada, nem de explicar o olhar. Eu comigo. Desprendida. Apenas à espera que o sol acendesse o dia e me encantasse.

Afinal, eu era parte daquela manhã. Eu era a manhã. E o mar. E o voo das gaivotas.
E a brisa. Agradeci a Deus aquela solitude que (já) me fazia falta. E a pacificação azul destes momentos em que somos o universo inteiro.
Na geografia do coração, estes momentos de nada preenchem os caminhos desertos e cheios de banalidades dos dias loucos das nossas vidas. Mostram lugares antigos com cheiro de cerejas e gargalhadas de manjericos. Transportam, em si, a essência de todas as coisas e a simplicidade da natureza.
Não preciso de muito para ser feliz. Basta-me este estar-assim, de volta à minha casa de dentro, peregrinando em mim, encontrando-me com o melhor do meu peito, atirando ao mar os meus medos e libertando-me do que não me faz falta. Basta-me esta vontade de agradecer a vida e este lugar e de me deixar guiar pelo som do mar que me chama para si.
É sempre de manhã que começam os dias novos. E o futuro. São manhãs destas que nos ajudam a continuar a caminhar.
Ah! Já me esquecia: o sol veio dar-me um beijo. E o mar estava de veludo. Trouxe de lá o silêncio. Para si."


Graça Alves in "JM - 12.06.2015"




With Love, Ana Rosina

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