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domingo, janeiro 25, 2015

Inspiration - Straight Dads

E volto a publicar uma cena da série "Uma família Moderna". 


Perguntam-me porquê?


Porque esta semana a Assembleia da República voltou a chumbar (pela 4.ª vez) três projectos-lei sobre a adopção de crianças por casais do mesmo sexo. Não quero de maneira alguma desatar num devaneio político - que em nada tem a ver com este meu espaço - mas não posso deixar passar algo que, para cerca de 60% dos deputados que nos representam, seja considerado descabido. Que coisa mais tonta! Ora, onde já se viu? Casar podem! A sociedade hipócrita deixa, agora ter filhos... Isto já são contas de outro rosário. À que ser coerente.

Vamos lá ver: É incomodativo e problemático que duas pessoas do mesmo sexo possam cuidar, proteger, educar e amar uma criança. Pelo menos neste simpático e solarengo país que é Portugal. Porquê? Porque somos um país de primeira. Porque não queremos ter crianças a serem gozadas na escola porque têm duas mães ou dois pais. Porque estas crianças são potencias homossexuais no futuro e isso dará cabo da sociedade que temos. Porque os homossexuais que por aqui circulam, vieram cá parar porque foram paridos pelas pedras parideiras da Serra de Freita. Porque nós pensamos acima de qualquer outra coisa, nas crianças. Pensamos que é visualmente correcto uma criança ir de mãos dadas com uma mãe e um pai.  Que todas as crianças que tiverem um pai e uma mãe, serão obviamente umas princesas ou uma machos latinos que "procriarão como coelhos" (se bem que isto é pensamento que lá para os lados do Vaticano, está prestes a mudar). Não importa que estejam infelizes. Não importa nadinha que a mãe chegue a casa e seja brutalmente espancada ou até quem sabe, assassinada (à sua frente) pelo seu pai. São poucos os casos em que isso acontece. As mães são protegidas e acompanhadas pela segurança pública ao fim da 15.ª queixa e se o acto for presenciado por alguém. Se a criança ficar com um trauma, também não há qualquer problema. O que não falta nestas instituições portuguesas são pessoas competentes que as acompanhem de forma individual, pessoal e frequente chamando-os pelo nome. Mas se por acaso os pais (heterossexuais) abandonarem esta criança, nós também temos instituições completamente fidedignas que irão acolhê-las (quem é que não se lembra da Casa Pia?). E bulling? As crianças filhas de pais de sexo oposto, não sofrem qualquer tipo de bulling por aqui. Ninguém goza se usarem aparelho, óculos, se fores gordinhos, se lhes faltarem dois dentes, se a camisa estiver meia para o velhinha ou se forem pouco populares.

Que fique claro, não estou a generalizar. Mas sejamos coerentes, não generalizem. Haverá bom e mau em qualquer uma das circunstâncias. Infelizmente, o mau existirá sempre. Mas se é ofensivo para uns, não será mesmos nocivo para os outros.



Em Janeiro de 2012 escrevia isto. Não altero um único parágrafo (se bem que em 3 anos já podemos adicionar mais uma data de pontos a esta vasta e triste lista. Lamentavelmente. )





Ter pais é maravilhoso. Ter quem os ame e lhes dê o melhor que têm, é perfeito! Não será com certeza algo muito difícil de compreender. Ter quem faça a diferença na vida de um coração pequenino, simplesmente porque gosta, porque quer olhar, abrigar e cuidar, porque escolheu de livre e espontânea vontade amar, num amor que com certeza não há-de ser perfeito (os pais que por aqui andam que o digam) mas que é sem qualquer dúvida absolutamente completo, não pode ser mau. Ter alguém que os faça  sentir e acreditar que muitas vezes a vida é feita de sortes. De sortes que mudam vidas.

Eles continuarão à espera. Pacientemente e esperançosamente à espera. Pode ser que um dia percebam que a sociedade tem que ter como pilar elementar e imprescindível o respeito, a liberdade e acima de tudo, um sincero amor!...

E pronto. Está dito.


With Love, Ana Rosina


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