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19 de outubro de 2014

Inspiration - Tempestades

"Tenho um certa adoração por tempestades. Especialmente pelas que vêm fora de época - no meio de um outono ainda quente. O céu começa a ficar vermelho, o ar aquece em versão sufoco. Nos primeiros pingos sente-se, no cheiro das ruas, que qualquer coisa vai acontecer. De repente, em modo chuveiro, a água cai não se sabe de onde. Mas continua quente: por isso sabe bem deixar a camisa ficar molhada, a cabeça mais fresca, os olhos a escorrerem qualquer coisa entre chuva e lágrimas. Em cada trovão, estremece-nos o chão e ilumina-se o lusco fusco. Quase lânguida, a tempestade chega, envolve-nos, tira-nos a respiração, e vai embora lentamente. Imponente. Leva o cinza nubaldo atrás, e deixa de novo o céu estrelado, e a lua cheia na noite limpa.

Tenho uma certa paixão por tempestades. Porque são românticas, na maneira como levam ao limite a tensão (vibração) entre os elementos. Aliás, romântico é amar durante uma tempestade. A chuva lá fora, o vento a bater na janela, o quarto que escurece naquele cinza vermelho de fim de tarde. 
(...) Grita-se, mais para dentro do que para fora. Estremece-se, não o chão, mas o corpo quando chora, quando se aperta em dor, quando se abraça, sozinho, em sufoco, no fim da discussão. E depois? Depois, a tempestade vai. A energia acaba, as lágrimas secam, como a chuva que acabou. E a tempestade vai embora, lentamente, leva as nuvens pesadas atrás e deixa de novo o que sempre lá esteve: o céu limpo, imenso, e a nossa eterna lua. Porque é igual no amor: as únicas coisas que temos por certas, não são as que passam por momentos, mas as que se sabem que estão lá sempre. Imponentes."

in "Momentos04"

With Love, Ana Rosina

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