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quinta-feira, março 07, 2013

Inspiration - " Alguém perguntou-te alguma coisa? "

Este texto podia ser meu!...



"Realmente não percebo essa mania que algumas pessoas têm de querer dar palpites em tudo. Perguntei-te? Então guarda os teus pensamentos para ti. Ninguém quer saber. Toda a gente acha alguma coisa, tem algo para "contribuir" ou um conselho para dar para a outra pessoa. Fico incrivelmente atordoada com o número de pessoas que pensam que ser conselheiro e "palpiteiro" é porreiro. Vou contar-te um segredo: muitas vezes dizer o que achamos soa extremamente indelicado e inconveniente. Se estou a te contar algo, apenas escuta. Entende que muitas vezes o outro só quer desabafar. Ele não quer ser julgado, nem que alguém apresente uma cartela de soluções.  Vamos ser sinceros: a sabedoria de "padaria" não funciona num piscar de olhos. É fácil dizer como os outros devem agir, afinal, estás do lado de fora da encrenca. Só vivendo o problema para saber exactamente o que fazer com ele. Acho que tens que agir assim e assado. Desculpa-me, mas não tens que achar nada. Tens é que cuidar da tua vida, dos teus problemas, das tuas coisas. Seria muito mais fácil viver em sociedade se cada um se preocupasse em fazer o que deve ser feito. Viver, na forma mais ampla da palavra. A própria vida, no caso. Queres ajudar alguém? Faz caridade. Tens um montão de gente a precisar de comida, tecto  artigos de higiene e vestuário. Queres ser útil? Faz um trabalho voluntário. Tem muita gente a precisar de um afago, de atenção, de cuidado. Olha eu, aqui, dizer-te o que tens que fazer. Por favor, não me leves a mal, não quero me contradizer. Acho mesmo que cada macaco deve ficar e cuidar do seu galho. Mas se te faz falta ajudar, aconselhar, palpitar, por favor, pessoas a precisar de ajuda é o que não falta. Basta visitar um asilo, um orfanato, um hospital. Querer ser útil é nobre e bonito. Mas sair a palpitar por aí é mau demais. Raramente peço conselhos. (Quando peço, peço a quem confio apenas e a quem sei que me quer bem.). Acho que consigo me entender com o tico, o teco e toda a turma. Ninguém sente o que sinto, ninguém mora dentro de mim. E entende: aqui dentro é uma confusão. Só eu consigo entender coisas que são minhas, que estão guardadas a sete chaves, que estão perdidas no porão, que estão cheias de mofo e pó. Ninguém tem esse poder, apenas eu e minhas confusões. Não gosto quando alguém diz que tenho que fazer isto ou aquilo. Eu sei o que precisa ser feito, eu tenho o domínio da minha vida, eu sei o que aceito e o que não me desce pela garganta de forma alguma. Eu, eu, eu. Isso mesmo. De vez em quando precisamos de se posicionar, encarar os factos de frente e fazer um raio-x criterioso do que se passa lá dentro. É que ninguém enxerga o nosso avesso."

Clarissa Côrrea



With Love, ***

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