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domingo, outubro 07, 2012

Inspiration - Hoje, desabafo a falta do meu Pai...

Hoje estou zangada, triste e dorida... Faz precisamente 5 anos que Deus ou a tal força superior a que todos nós nos agarramos fielmente e as cegas, provocou a minha maior dor...
Sim, aquele tipo de dor que te dilacera por dentro sem retorno... aquele tipo de dor que não fazes ideia que existe até que a morte entre sem licença na tua vida e te roube o que mais amas... Que roube, quem mais te ama... 

Tirou-me o meu Pai


Como escrevi à uns dias "Ele ensinou-me o que era som da gargalhada, o picar de uma barba no meu rosto, ensinou-me a fingir que estava a dormir só para que ele me levasse ao colo para a cama, ensinou-me a ser forte, paciente, honesta e justa. Com ele, aprendi a dar gargalhadas bem altas, a cumprimentar com um aperto de mão, aprendi a descascar laranjas, a apanhar uvas, a dar cambalhotas, a comer sopa de bacalhau, e até a aplicar medicação em animais! O meu pai deu-me apoio, consolo, suporte, abrigo e amor. Ensinou-me e mostrou-me o que é certo e errado na vida. Aprendi que temos que fazer por merecer e que não existe nada de errado se não soubermos o que queremos, desde que saibamos exactamente o que não se quer. Com o meu pai eu aprendi a ser gente. Aprendi que o respeito não se exige a ninguem, conquista-se. Aprendi que não precisas ter muito para seres alguém. Ser bom e ter um sorriso sempre, já é suficiente. E a entender e aceitar que as pessoas são diferentes e precisam se respeitar. E que nem toda a gente tem que ter o mesmo gosto, as mesmas ideias, os mesmos pontos de vista. Que isso não faz ninguem melhor ou pior. Aprendi a ter paciência e força. E que nem sempre o jeito que alguém diz que te ama é o mesmo jeito que falas e demonstras que amas. Aprendi que carinho e atenção existem, mas que às vezes é fundamental um puxão de orelhas. E que o mundo é grande demais, por isso temos que o correr. Mesmo que nos apeteça muito ficar no conforto e no colo do papá e da mamã. E que sempre vai existir alguém mais bonito e mais inteligente, assim como sempre vai existir um mais burro e mais feio! E que um abraço fala muito mais do que um monte de palavras. E que um beijo e um cafuné confortam mais que um cobertor numa noite gelada de Inverno."

Soube exactamente quem o amou, e partiu com essa noção. Deu amor total a quem sabia dar esse valor. Teve o privilegio de ter família que o amava, amigos que o admiram e que o recordam com muito carinho e saudade!.. Porque sempre reconheceu a importância das pessoas que passaram nas sua vida. Que passaram VERDADEIRAMENTE pela sua vida. Que a vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade!... E ele deixou!...

Como disse, tenho o direito a estar revoltada. Porque preciso dele. Porque precisei quando era pequenina e porque preciso depois que cresci. Porque preciso dele até mesmo depois dele morrer. 

Tenho razão para sentir saudade... Porquê?

PORQUE...

Saudade, eu juro-te, é verdade! 
É tristeza sem fim, um vazio... 
Presença distante, 
um olhar suplicante, 
um mundo sombrio! 

Saudade é a esperança sofrida, 
um coração já sem vida 
que a nostalgia amortalha... 
Bem maior do que a dor, 
a saudade é como a flor 
que o orvalho da noite agasalha... 


Saudade é isto, não me iludo. 
Um vento frio, 
um olhar perdido, distante e mudo... 
Uma sombra que a alma acaricia... 
Saudade é como o vento, 
que rasga o espaço e deixa seu sopro por traço... 
É como a noite surgindo sempre após o dia... 


Saudade é mesmo um simples beijo, 
uma lembrança fagueira, uma criança trigueira, 
um soluço no peito represado, 
um grito na garganta sufocado... 
Saudade é um vestido cor de rosa, 
um laço de fita no cabelo que se agita, 
uma angústia dolorosa. 


Saudade é muitas vezes 
a flor que nasce de um botão, 
o mar bravio, a imensidão, a noite fria, 
uma canção, e até os versos que te fazia... 
Saudade é a tarde fugindo, 
é a noite surgindo, 
trazendo a dor que consome... 


Saudade é a lua saindo, 
do fundo do mar emergindo, 
riscando em prata teu nome! 
Perguntas-me o que é saudade... 


Saudade, eu digo-te: É como a dor inclemente, só sabe mesmo é quem sente...

(Nelson de Medeiros Teixeira)


With Love, Ana Rosina

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