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quarta-feira, abril 04, 2012

Inspiration - "O Reflexo da Alma"

"A repetição perniciosa que rompe com os fios delicados que foram tecidos com o cuidado de quem não era feliz.  De quem só teve como sentimento genuíno a dor que esteve no útero desde pequeno. Porque na dor, a lágrima não corre como gota voluntária. A lágrima corre ácida matando as células dos sonhos. Não havia regeneração para esses tecidos que a imaginação tinha como forro do estômago.  Antes de tudo, as pessoas deveriam ver primeiro as vísceras. O estômago deveria ser exposto ao invés do aperto de mão. 
Por que não perguntar se sente dor? 
É sempre a mesma troca de superfícies. É uma ilusão pensar que algumas pessoas estão ali a andar. Na rua, elas estão de joelhos a implorar pelo rosto do milagre. No sorriso, a gengiva sangra. A água que corre na rua provém de uma união de hemorragias. Atenção para o interior que grita. Atenção para a obsessão que pode estar a anunciar o vôo de um corpo nalgum edifício. Atenção para a doçura que nasce de um esforço divino no meio do caos. 
Sabia que eu sinto dor? 
Não. 
E nem precisa estar dentro para saber. Costurei o meu interior para ninguém entrar. Fios, voltas e nós. Quase sufoquei com isso. Mas um dia, a energia solar nasceu em todo seu espectro de cores, e na pele, de um subtil engenhoso, ele dissolveu a ligação que unia violentamente todos os órgãos.  Ele trazia o amor em todo o corpo. Não sabia que alguém poderia conter toda genuína beleza. Eram gumes que abriram a pele e o corpo em toda sua anatomia? Não sei... É nele que mora o encanto antes só visto na arte. É nele que existia uma cadeira vazia onde pude me sentar. Senti todas as contracções da casa e de suas mobílias. Uma doçura que jorrava feito corrente. As minhas mãos desde o começo estiveram estendidas. E como gesto nobre e divino, de quem carrega na palma da mão o verdadeiro, ele estendeu as mãos, e surgiu a explosão cósmica que ao invés de destruir, uniu todas as coisas. O amor cai como um bloco inteiro bem no meio da nossa casa. E, agora, o amor habita aqui. O para sempre. Mesmo que apontem a infinidade da vida. Eu queria que ele soubesse de muitas coisas ainda não ditas, coisas que ainda estão a tomar forma. Mas posso dizer-lhe que no corpo todo, em todo o seu interior, corre a doçura nascida só nele. Que a intensidade faz nascer o antes desconhecido. Que é nele que vejo o reflexo do céu. O sentimento não só eleva, ele constrói uma torre descomunal de sentimento onde eu posso me  expor, e irradiar toda a infância. A infância!  Eu nunca vi um rosto tão humano. É nele que toco para sentir a vida. Em mim, ele faz brotar em solo firme o indefinidamente, infinito e um túnel onde muitos trabalhadores constroem a todo instante paredes de tecto aberto para o céu. Tenho outra coisa a dizer : No meu corpo, que é mar onde chovia o tempo todo, nele habitam os pensamentos obsessivos, a asfixia das paradas e uma intensidade que magoa e dói por ser inesperada e parecer infinita. E eu tenho medo. Não quero essa violência. Ponto.  Moras em mim, e eu não suportaria ver-te partir. Tu iluminaste com o teu corpo o que era o vão feito por corredores sinuosos. Por mais que eu procure usar termos difíceis e poéticos para dizer a última coisa, a simplicidade sempre me atravessa: és a pessoa mais importante da minha vida. Ver-te a tirar toda a mobília da nossa casa levar-me-ia ao voo. Eu amo-te e quero rodar para sempre num interminável carrossel de luz!..."

Fonte:  "dispamesenhor.wordpress.com"




With Love, ***

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